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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O Ano da Fé significa agradecer


O ser humano, em seu estado natural, possui inteligência e vontade com potencialidades infinitas. A beleza que surge das mãos dos homens é um reflexo da beleza que surge das mãos do Criador. No entanto, não quis Deus que o homem permanecesse apenas em seu estado natural e nos deu o dom da fé.
O dom da fé e da graça eleva o homem ao estado sobrenatural, somos filhos de Deus (1Jo 3,1). Neste estado podemos dizer com São Paulo “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gal 2,20). O estado sobrenatural não está em conflito com o estado natural. A graça não destrói a natureza, a supõe, eleva e aperfeiçoa.
A fé nos eleva a uma condição superior, mas não de superioridade. É na vivência profunda da fé que o homem se encontra completamente consigo mesmo e com o outro, e realiza plenamente a vocação a que foi chamado.
Cristo é nosso Senhor e nos convida a contemplar o mundo e seus irmãos com novos olhos. A fé, bem acolhida e cultivada, nos oferece uma lente que permite perceber a realidade com o coração de Deus. Por isto, o cristão não é indiferente aos assuntos do mundo. O sofrimento e a dor que assolam a humanidade devem ser sentidos, sofridos e compadecidos com maior intensidade por aqueles que se declaram apóstolos de Cristo. É com o amor de Deus que amamos o mundo.
A fé não é alienação, ao contrário, é trazer ao mundo um pouco do divino, é lapidar a beleza da criação muitas vezes escondida pela nuvem do pecado. A verdadeira alienação é não acolher, cultivar e promover o dom da fé. A busca de infinito que permeia o coração humano encontra nela seu porto seguro, pois somente através desse magnífico dom descobrimos quem realmente somos. Como dizia Santo Agostinho: “Fizeste-me para Ti, Senhor, e o meu coração inquieto está enquanto não descansa em Ti” (Confissões, l.1, n.1). Elevemos todos uma oração de agradecimento a Deus pelo dom da Fé que nos enriquece, fazendo-nos mais humanos e filhos de Deus.

Dom Orani João Tempesta

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Perseverar é preciso


Os homens que fizeram história não desistiram no meio do caminho
Quando o assunto é perseverança, lembro-me de algumas lições que aprendi quando ainda era criança. Como morava em sítio distante da cidade, costumava caminhar muito e era normal fazer até viagens mais longas a pé. Por isso, era preciso sair de casa bem cedo para evitar o sol forte durante a caminhada. Recordo-me, por exemplo, de quando iámos em família visitar minha avó.

Tudo era festa, eu e minhas irmãs, também crianças, vivíamos com expectativa a preparação para essa viagem que tinha sempre data marcada com antecedência. Junto com a nossa mãe, pensávamos em tudo, inclusive nas coisas gostosas que iríamos comer, nos primos que nos esperavam para brincarmos juntos, etc.

Ainda sinto o cheiro do orvalho daquelas manhãs de verão, os primeiros raios do sol nos enchiam de força e alegria para começar a viagem. Mas o interessante é que a empolgação, que trazíamos no início do trajeto, aos poucos ia se desvanecendo e logo começavam a aparecer os primeiros sinais de desânimo. Lembro-me de que nos segurávamos ao máximo para não começar a reclamar do cansaço, mas, quando uma falava, as outras seguiam suas queixas que, em geral, eram relacionadas à distância, à demora e a tantas outras justificativas que apresentávamos como razão para desistirmos da viagem. Nessas horas minha mãe, com sua simplicidade e pedagogia própria da maternidade, nos dava lições de perseverança.
Geralmente nos sugeria uma pausa na qual nos alimentava, nos dava água e nos motivava, fazendo-nos lembrar que nossa avó já estava diante da porta da casa à nossa espera, que ela tinha feito várias coisas para nós. Dessa forma, ela nos ajudava a perceber que, afinal, já não estávamos assim tão distantes, pois já havíamos caminhado até ali. Regressar seria também cansativo e não nos traria felicidade. As palavras dela eram como injeção de ânimo para nós. Recomeçávamos a viagem animadas e, quase sem perceber, íamos nos apoiando na esperança que acabara de ser semeada em nossos corações.

Nestes dias, em meio às lutas próprias da missão, tenho pedido a Deus a graça da perseverança e Ele me fez lembrar das lições de minha mãe, além de acrescentar algumas outras... Perseverar é preciso, principalmente na vida cristã!

Já é de nosso conhecimento que o fracasso na vida de muitas pessoas deve-se ao fato de começarem seus projetos e não os terminarem, ou seja: falta de perseverança. Os homens que fizeram história e realizaram sonhos são os que não se renderam ao desânimo no meio do caminho, mas seguiram até o fim, mesmo cansados. Podemos recorder, por exemplo, Thomas Edson, que, segundo a história, tornou-se, depois de inúmeras tentativas fracassadas, o criador da lâmpada elétrica para o bem da humanidade. Outro exemplo bem próximo de nós é o do monsenhor Jonas Abib, quantas vezes ele sofreu o peso da responsabidade e até mesmo foi aconselhado a parar com relação à fundação da Canção Nova. Já pensou se ele não tivesse perseverado? E não faltam exemplos de perseverantes vencedores; que diga o testemunho dos santos.

É certo que nossa vida é uma viagem passageira por este mundo e o destino é a Casa, não da avó, mas do Pai Eterno, que desde sempre nos ama e está à nossa espera. Por isso é preciso nos conservar firmes e constantes nos propósitos que nos conduzem aos ideais; e no caso da vida cristã: que nos conduzem à vontade de Deus.

O cansaço, às vezes, nos assola, o “sol forte” dos acontecimentos pode nos tirar as forças. Muitas vezes, precisamos até parar um pouco para nos recompor e reencontrar as inspirações iniciais para que possamos seguir em frente, mas sem voltar atrás. Como explicava minha mãe: desistir também tem seu preço e não nos traz felicidade.

Que hoje seja um dia de retomada em nossa caminhada em todos os aspectos de nossa vida! A Palavra do Senhor, que partilho com você neste sentido, é um conselho do apóstolo Paulo para a comunidade de Coríntios:

"Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão" (I Cor 15, 58).


Estou unida e rezo por você!
Dijanira Silva
dijanira@geracaophn.com
Comunidade Canção Nova

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Uma amiga chamada constância


Nosso mundo é marcado por um constante movimento de “mudar de ideia”, optar por novos horizontes. Por vezes, nos vemos diante de circunstâncias que nos fazem pensar se vale a pena levar adiante um trabalho difícil, uma situação desconforme com nossa vontade, ou ao menos desconforme com nossas expectativas. Por vezes não somos nós a buscar tais situações, mas elas nos alcançam e se prendem a nós em nosso dia a dia. Sempre diante delas devemos dar uma resposta: ir adiante ou mudar de rota.
Mudar de ideia, abandonar projetos falidos, trocar de rota por perceber que se está num caminho de demasiado risco ou mesmo equivocado, é uma atitude sempre positiva; e quando isso é fruto de discernimento, passa a ser necessário. Permanecer no caminho errado é prolongar a tristeza ou a possibilidade de frustração. E na verdade não fomos feitos para este tipo de vida. No entanto, a mudança de idéia pode ser devida a outros fatores que envolvem uma fraca capacidade de sonhar e projetar-se diante de um ideal, ou mesmo a ausência do proprio ideal.
Uma vida sem ideal é como uma viagem sem rota, por mais que se ande, que seja uma viagem maravilhosa, nunca se chega ao ponto de destino e isso simplesmente porque ele é inexistente. Um bom ideal, um forte motivo para viver e até mesmo para dedicar cada esforço é sempre louvável, mas o ideal não se realiza sem a constância. Por outro lado a constância só pode ocorrer onde existe o ideal. É a constância que conduz um ideal à sua realização, inclusive à plenitude de vida. Não existe constância onde não existe ideal. Todo homem deve ter um ideal de vida, deve escolhê-lo e buscar realizá-lo de acordo com o bem, não só como fim, mas também como meio..
Como virtude humana, a constância é acessível a todos. Não é simplesmente um dom do alto, mas algo que emerge de dentro da pessoa; e como todo talento, pode e deve ser cultivada e desenvolvida.
Para entender claramente a constância, pensemos numa viagem para um local muito belo e desejado há muito tempo; e no dia da viagem está chovendo na estrada, e os vidros do carro embaçam. O que fazer: Desistir? Mudar de rumo? Aguardar? Continuar? Tudo exige discernimento, é claro. Se ainda é possível ir adiante sem grandes riscos e possui habilidade suficiente para isso, o motorista deve decidir-se pela continuidade da viagem, ainda que em baixa velocidade, devido às situações adversas. Deve ir com muita cautela, deve respeitar o desafio; até mesmo parar e esperar a chuva passar – se for o caso –, mas desistir do ideal apenas por causa de uma chuva, que pode ser passageira, seria perder muito e as vezes sem chance de retomar mais tarde.
Todo homem busca a plenitude de seu ser. Isso é uma grande obra! E como toda grande obra, não é fruto de apenas entusiasmo. Todo caminho comporta obstáculos, e para vencê-los, não basta ter força e inteligência, ou mesmo audácia e destreza. Tudo isso sim, mas, acima de tudo, constância. Tem um provérbio que diz que “a inteligência natural pode ser dada a qualquer um, mas só é inteligente de verdade quem faz uso dela”. No dia a dia vemos que os frutos mais doces de nossa vida não são aqueles conquistados apenas por nossos talentos, mas pela constância que não nos deixou desistir de tais talentos diante dos obstáculos. Se diz ainda que “sorte é quando a preparação encontra a oportunidade” . Para muitas coisas em nossa vida teremos apenas uma oportunidade. Por isso, é bom ser constante, para se preparar bem e não perdê-la.
Não se constrói nada sem constância. Nossos ideais embebidos na constância adquirem uma força extraordinaria. Para ser feliz é preciso que nos esforcemos sempre, sem desanimar diante das situações desfavoráveis, mesmo sem motivação sensível, ainda se as pontes desabarem diante de nós, mesmo na cotidianidade dos acontecimentos, ou quando os obstáculos nos pareçam insuperáveis; sabendo sempre que nosso ideal maior é Cristo, em Quem tudo que é bom encontra o seu modelo, inclusive a constância. Afinal A alma só se alimenta daquilo que lhe traz alegria, nos lembra Santo Agostinho.
Deus os abençoe
Padre Xavier-CN

domingo, 8 de janeiro de 2012

Psicólogos admitem a importância da Oração


´´A nossa vida não deve ser caracterizada por inquietações que geram ansiedade, e sim pela fé que produz felicidade“.
Charles H. Spurgeon (1834-1892)
Príncipe dos Pregadores Ingleses
A coordenadora da área de psicologia da Liga de Dor da Faculdade de Medicina do Hospital das Clinicas de São Paulo (HCFMUSP), Andréa Portinoi, desenvolveu um trabalho com o tratamento de portadores de dor crônica.
Ela ressalta que a força interior demonstrada por aqueles que professam a fé em Deus é bastante positiva. “A Fé é uma convicção profunda e serena, que tem uma função protetora muito importante para a integridade física e psíquica do individuo”, afirma Dra. Andréa.
Desde a década 1980 que várias pesquisas realizadas no mundo inteiro vêm provando que existe relação entre fé e qualidade de vida e a cura de várias doenças, entre elas a depressão. “Há muitas evidências científicas de que fé e métodos como a oração ajudam na melhora clínica dos indivíduos”, diz o médico Thomas McCormick, do departamento de historia e Ética Medica da Universidade de Washington (EUA).
Um estudo realizado nos Estados Unidos, esse pelo Centro Medico da Universidade de Pittsburg, Mostrou que quem freqüenta igreja ou templo religioso pelo menos uma vez por semana tem uma expectativa de vida maior do que aqueles que não adotam esse hábito. “A freqüência a igrejas diminui o estresse tanto pelo ambiente acolhedor como pela orientação que a pessoa recebe para lidar com os problemas”, diz Daniel Hall, coordenador da pesquisa.
Já a equipe do psicólogo Michael McCullough, da Universidade de Miami-EUA, conclui, através de um estudo, que as pessoas religiosas tendem a ter menores taxas de abuso de substâncias, melhor desempenho escolar, menos delinqüência, melhores comportamentos de saúde, menos depressão e vidas mais longas. Para os pesquisadores, o comportamento religioso é capaz de incentivar as pessoas a exercitar o autocontrole e a regular mais eficientemente as suas emoções e comportamentos para poderem perseguir objetivos valorizados.

CONCLUSÃO
Orar, amar e ter fé, são ferramentas poderosíssimas para o sucesso. Viva intensamente a fortaleza da oração, o poder do amor e a vitória da fé. Viver tudo isso com glória para sempre.
“Orai sem Cessar” (1Ts 5,17). “Amar a Deus, o próximo e a si mesmo” ( Mt 22, 37-39). E “usar a fé que vence o mundo”` (1 Jo 5,4). É interessante ressaltar que nós somos pessoas amadas e carregamos dentro de nós as virtudes da oração e da fé. Afirma o “Apóstolo da Caridade”, São João: “Deus nos amou primeiro” ( 1Jo 4, 19).
Somos criados com a potencialidade de amar e se amado. O amor é tudo para as nossas realizações.

Pe. Inácio José do Vale
Professor de Historia da Igreja
Pregador de Retiros Espirituais

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Na vida espiritual não se estaciona, ou avança ou regride


Naquele tempo, o tetrarca Herodes ouviu falar de tudo o que estava acontecendo, e ficou perplexo, porque alguns diziam que João Batista tinha ressuscitado dos mortos. Outros diziam que Elias tinha aparecido; outros ainda, que um dos antigos profetas tinha ressuscitado. Então Hero¬des disse: “Eu mandei degolar João. Quem é esse homem, sobre quem ouço falar essas coisas?” E procurava ver Jesus.


Vemos com esta palavra, o tetrarca Herodes que fica intrigado com todos os acontecimentos provocados pela Pessoa de Jesus, e tantas especulações que lhe chegavam a seu respeito. Aprofundando a leitura e contextualizando percebemos mais que isto, percebendo que uma consciência de quem pratica o mal vai a cada dia ficando pior.
Este governante, posto no poder como administrador Romano, se achava como muitos governantes no direito de fazer o que bem entende,já se diz na Palavra: “Lisonjeia a si mesmo pensando: 'Ninguém vê nem condena o meu crime!” (Salmo 36). E portanto era guiado pelo seu bel prazer, interesses e domínio. Percebemos porém que é muito útil para percebermos uma realidade importante, a gradação do mal no coração no pecador.

No começo dos evangelhos, diz-se deste Herodes (que não é o Herodes Magno, que trinta anos antes mandara matar as crianças inocentes), que gostava de ouvir a João Batista, que se sentia incomodado por sua pregação (João abertamente denunciava seu pecado, censurando-o por ter tomado a mulher de seu irmão, e por todos os crimes que cometera (Lc 3,19)), mas o admirava, para ser exato,o achava o homem justo e por isto o protegia, escutando-o embora censurado, de bom grado (Mc,20). Ainda assim não quis sair do caminho de pecado , a palavra de Deus lhe “entrava no ouvido e saia no outro”.

Porém, nos caminhos de Deus, ou se avança ou se retrocede, ficar no caminho é voltar. Logo, primeiro, ouve a voz de Deus e não muda, em seguida por causa da frivolidade de um juramento feito por gostar de uma dança, manda matar João Batista (Mt 14,3ss). Nesta passagem de hoje vemos sua reação diante de Jesus: Homem na qualidade de profeta, comparado ao seu admirado João Batista, mas nem vemos admiração. Mas adiante , no julgamento de Cristo, demonstra que tanto queria vê-lo , ao vê-lo não se admira e assim como Pilatos deixa-o a critério do que quiserem fazer com ele, tanto faz ser justo ou não. E lá no fim da vida, veremos já no Novo Testamento que manda matar Tiago e perseguir a Igreja, satisfeito por que isto agradava alguns.
Perceba com estas passagen s, como é a vida de quem não caminha para Deus: ouve e não muda, pratica o mal mais profundamente, não se admira mais com o caminho de Deus, e vai piorando gradativamente, até o caos. O que isto ensina para nossa vida? Como está nossa vida, este exemplo é apenas um de tantos outros , que poderemos citar em outra ocasião, mas que na verdade está assim, ao ouvires a voz de Deus,a palavra, ao perceberes seu erro, seu pecado, não permaneça nele achando que este pecado pode ser aceito já que se está fazendo outras coisas boas. É engano, é erro, o mal vai definhando o homem, vai apodrecendo-o, vai cauterizando sua consciência.

Não se pode ser de Deus pela metade, não se pode ter o pé em Deus e o pé no mundo, não se pode servir a dois senhores. Mude, busque mudança, busque ajuda, busque Deus e seus remédios de vida. Deus vale a pena, e não quer te deixar escravo dos pecados. Os santos do Carmelo questionam: que diferença para um pássaro estar preso com um barbante, ou estar preso com uma corrente de navio, se de qualquer modo não voa. Vá em busca dos remédios, contrição, confissão, mudança de vida, e vida sacramental, engajada e virtuosa.